sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Afetividade

Emoções nos processos de ensino e aprendizagem

Na  EaD,  muitas  instituições  se  preocupam  pouco  com  relações  afetivas,  até
tradicionalmente  mantém  mecanismos  de  controle  de  poder  sócio-educacional  que
bloqueiam  quaisquer  formas  de  interações  “de  coração  pra  coração”.
Geralmente  as  instituições  se  preocupam  e  investem  muito  mais  nas  tecnologias  de
comunicação  e na qualidade  estética dos produtos  e  serviços oferecidos. A evasão em
cursos de EaD , ou mesmo nos presenciais, tem vários motivos (Maia, Meirelles e Pela,
2004),  mas certamente é  fruto de ações apenas mecanicistas, sem preocupação com  as
relações criadas entre o aluno, seus  colegas e professores.



Consideração das emoções (“de coração pra coração”) na
comunicação para a aprendizagem colaborativa



Segundo Braga  e  Franco  (Braga  e Franco,  2007)  “Um  princípio  básico para  o
desenvolvimento  da  inteligência  emocional  na  sala  de  aula  é  o  respeito mútuo  pelos
sentimentos dos outros e, para tanto, é necessário que o tutor saiba como se sente e seja
capaz  de  comunicar  abertamente  suas  sensações  e  sentimentos.”  Esta  postura  requer
coragem do educador visto não  ser  fácil comunicar abertamente emoções,  sensações e
sentimentos. A causa é o medo de se expor, de parecer ridículo, de ser percebido como
frágil.

Consideramos  a  gestão  emocional  educacional  uma  prática mais  complexa  do
que conhecer e reconhecer sentimentos humanos básicos em palavras (ditas ou escritas),
ações,  intenções  e  omissões.  Se  as  emoções  são  importantes  para  a  aprendizagem  é
necessário  vivenciá-las. Desde  que  nascemos,  vivenciamos  infinitos  sentimentos,  que
vão  sendo  nomeados  como  diferentes  grupos  de  emoções.  Porém  não    na  escola
práticas de como aprender com elas. Normalmente, há experiências de convivência em
um grupo  social  (família,  escola,  trabalho) que nos  causam  sentimentos de  alegria, de
elevação  da  auto-estima  que  procuramos  repetir  e  outros  que  nos  causam medo,  dor,
angústia,  que  procuramos  evitar. Porém  esta  lógica: Sentimento  Conhecimento
Comportamento não é cartesiana visto que o processo envolve o outro.
As  emoções  são  normalmente  vivenciadas  em  períodos  de  curtíssima duração,
mas  podem  influenciar  tanto  a  aprendizagem,  geralmente  associada  a  processos mais
longos. Ocorre que na emoção de 1 minuto se vive a glória da descoberta ou a frustração
da derrota pela incapacidade momentânea e estes sentimentos podem alavancar ou frear
a motivação e curiosidade em aprender mais.  Além  disso,  as  emoções  vivenciadas

marcam o “espaço” (físico ou virtual), que passa a refletir, como a sempre fazer lembrar
tais sentimentos.

A  afetividade,  entendida  como  promotora  de  emoções  facilitadoras  da
aprendizagem, pode ser estimulada em um grupo social.  Na medida do equilíbrio entre a
diversidade  do próprio grupo,  ou  seja, dadas  as diferenças de  “dinâmicas humanas”  e
seus  valores  intrinsecamente  construídos  ao  longo  do  tempo,  pode-se  estimular
relacionamentos  aceitos  como  cordialidade,  afeição  e  ética  grupal,  o  que  promove  a
aprendizagem na perspectiva da sócio-interação.  Todavia, fora do contexto do grupo, as
demonstrações emotivas podem esvaziar-se em significado e significância.
A consideração das emoções nos processos de ensino-aprendizagem a distância
deve incluir: (a) criação de motivos significativos à pessoa humana no início, meio e fim
das atividades individuais e colaborativas; (b) o fortalecimento de laços de afetividade e
cumplicidade  na  superação  de  desafios  de  aprendizagem  individual  e  coletiva;  (c)  o
reconhecimento e a valorização aberta das emoções e ‘lições aprendidas’ com o grupo e
com a vida (testemunho pessoal).

Muitas  vezes  o  professor  é  direcionado  a    dar  respostas  intelectuais,  sem
demonstrar preocupação em entender o aluno e suas necessidades individuais. O aluno,
por sua vez, quando é  tratado apenas como "mais um", adota atitudes  individualistas e
comportamentos  não-cooperativos.  A  solução  para  mudar  este  quadro  é  conhecer  a
história  do  aluno,  saber  como  incentivá-lo,  motivá-lo  e  mudar  da  história  para  o
presente.  Com  base  no  conhecimento  do  aluno,  cabe  aos  educadores  provocar
desequilíbrios  (sejam cognitivos, emotivos, psicomotores ou  sociais)  (Uller, 2006). Os
alunos serão, então, levados a reagir, na medida em que constroem significados. Isto se
  em  função  do  processo  de  comunicação  utilizado,  das  características  de
personalidade e experiências já vivenciadas. O processo reverso ocorre simultaneamente
nas interações entre educandos e educadores.

Para  comunicar  sentimentos  em  EAD  (com  alunos  e  professores
“desencarnados”), é preciso que se crie o senso de comunidade e que se dê espaço para a
vida pessoal  e comum  (Pallof & Pratt, 2002). Para  tal,  é  importante  a criação de uma
“personalidade eletrônica” – ou seja, a pessoa que nos tornamos quando estamos on-line
(Jones, 1994), visto que as pessoas podem utilizar a comunicação  (principalmente por
computador) como meio de  inventar novas “personas” e recriarem suas  identidades ou
para fazerem combinação de ambas. A forma como fazem  isto afeta a rede de relações
na comunidade de aprendizagem.

Para  a  existência  da  personalidade  eletrônica  alguns  estudos  apontam  serem
necessários elementos no processo de ensino-aprendizagem, quais sejam:

 (a) criação deuma  imagem  de  privacidade  tanto  no  espaço  de  comunicação  quanto  no  sentimentointerno de que  se possui  tal  atributo no  ambiente virtual; 
(b)  capacidade de  lidar  comquestões emocionais pela forma textual;
(c) capacidade de criar uma imagem mental doparceiro  durante  o  processo  comunicativo; 
(d)  capacidade  de  criar  uma  sensação  depresença on-line por meio da personalização do que é comunicado.

Para  tornar  isso possível é preciso adotar determinados comportamentos, como
por exemplo, (a) o processo avaliativo não deve ser meramente quantitativo, isto é, não
acompanhe    a  nota  e  a  freqüência, mas  suas  dificuldades,  o  seu  desenvolvimento,
levando em consideração a sua história; (b) que se gaste o tempo com auto-avaliação em
conjunto com os alunos,  tais como: estes recursos que estou usando estão funcionando
para  você?  Estão  gostando  do  ritmo  e  formato  da  aula?;  (c)  que  desde  o  começo  do
curso, deixar claro para o aluno a importância dessa relação personalizada; (d) não fazer
promessas do que não consegue cumprir.

REFERÊNCIA
BONATTO. Benedito D. Importância da Afetividade nas Interações no Contexto da EaD. Curso de Especialização em Design Instrucional para EaD Virtual: Tecnologias, Técnicas e Metodologias – EaD – Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI).

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