Emoções nos processos de ensino e aprendizagem
Na EaD, muitas instituições se preocupam pouco com relações afetivas, até
tradicionalmente mantém mecanismos de controle de poder sócio-educacional que
bloqueiam quaisquer formas de interações “de coração pra coração”.
Geralmente as instituições se preocupam e investem muito mais nas tecnologias de
comunicação e na qualidade estética dos produtos e serviços oferecidos. A evasão em
cursos de EaD , ou mesmo nos presenciais, tem vários motivos (Maia, Meirelles e Pela,
2004), mas certamente é fruto de ações apenas mecanicistas, sem preocupação com as
relações criadas entre o aluno, seus colegas e professores.
Consideração das emoções (“de coração pra coração”) na
comunicação para a aprendizagem colaborativa
Segundo Braga e Franco (Braga e Franco, 2007) “Um princípio básico para o
desenvolvimento da inteligência emocional na sala de aula é o respeito mútuo pelos
sentimentos dos outros e, para tanto, é necessário que o tutor saiba como se sente e seja
capaz de comunicar abertamente suas sensações e sentimentos.” Esta postura requer
coragem do educador visto não ser fácil comunicar abertamente emoções, sensações e
sentimentos. A causa é o medo de se expor, de parecer ridículo, de ser percebido como
frágil.
Consideramos a gestão emocional educacional uma prática mais complexa do
que conhecer e reconhecer sentimentos humanos básicos em palavras (ditas ou escritas),
ações, intenções e omissões. Se as emoções são importantes para a aprendizagem é
necessário vivenciá-las. Desde que nascemos, vivenciamos infinitos sentimentos, que
vão sendo nomeados como diferentes grupos de emoções. Porém não há na escola
práticas de como aprender com elas. Normalmente, há experiências de convivência em
um grupo social (família, escola, trabalho) que nos causam sentimentos de alegria, de
elevação da auto-estima que procuramos repetir e outros que nos causam medo, dor,
angústia, que procuramos evitar. Porém esta lógica: Sentimento Conhecimento
Comportamento não é cartesiana visto que o processo envolve o outro.
As emoções são normalmente vivenciadas em períodos de curtíssima duração,
mas podem influenciar tanto a aprendizagem, geralmente associada a processos mais
longos. Ocorre que na emoção de 1 minuto se vive a glória da descoberta ou a frustração
da derrota pela incapacidade momentânea e estes sentimentos podem alavancar ou frear
a motivação e curiosidade em aprender mais. Além disso, as emoções vivenciadas
marcam o “espaço” (físico ou virtual), que passa a refletir, como a sempre fazer lembrar
tais sentimentos.
A afetividade, entendida como promotora de emoções facilitadoras da
aprendizagem, pode ser estimulada em um grupo social. Na medida do equilíbrio entre a
diversidade do próprio grupo, ou seja, dadas as diferenças de “dinâmicas humanas” e
seus valores intrinsecamente construídos ao longo do tempo, pode-se estimular
relacionamentos aceitos como cordialidade, afeição e ética grupal, o que promove a
aprendizagem na perspectiva da sócio-interação. Todavia, fora do contexto do grupo, as
demonstrações emotivas podem esvaziar-se em significado e significância.
A consideração das emoções nos processos de ensino-aprendizagem a distância
deve incluir: (a) criação de motivos significativos à pessoa humana no início, meio e fim
das atividades individuais e colaborativas; (b) o fortalecimento de laços de afetividade e
cumplicidade na superação de desafios de aprendizagem individual e coletiva; (c) o
reconhecimento e a valorização aberta das emoções e ‘lições aprendidas’ com o grupo e
com a vida (testemunho pessoal).
Muitas vezes o professor é direcionado a só dar respostas intelectuais, sem
demonstrar preocupação em entender o aluno e suas necessidades individuais. O aluno,
por sua vez, quando é tratado apenas como "mais um", adota atitudes individualistas e
comportamentos não-cooperativos. A solução para mudar este quadro é conhecer a
história do aluno, saber como incentivá-lo, motivá-lo e mudar da história para o
presente. Com base no conhecimento do aluno, cabe aos educadores provocar
desequilíbrios (sejam cognitivos, emotivos, psicomotores ou sociais) (Uller, 2006). Os
alunos serão, então, levados a reagir, na medida em que constroem significados. Isto se
dá em função do processo de comunicação utilizado, das características de
personalidade e experiências já vivenciadas. O processo reverso ocorre simultaneamente
nas interações entre educandos e educadores.
Para comunicar sentimentos em EAD (com alunos e professores
“desencarnados”), é preciso que se crie o senso de comunidade e que se dê espaço para a
vida pessoal e comum (Pallof & Pratt, 2002). Para tal, é importante a criação de uma
“personalidade eletrônica” – ou seja, a pessoa que nos tornamos quando estamos on-line
(Jones, 1994), visto que as pessoas podem utilizar a comunicação (principalmente por
computador) como meio de inventar novas “personas” e recriarem suas identidades ou
para fazerem combinação de ambas. A forma como fazem isto afeta a rede de relações
na comunidade de aprendizagem.
Para a existência da personalidade eletrônica alguns estudos apontam serem
necessários elementos no processo de ensino-aprendizagem, quais sejam:
(a) criação deuma imagem de privacidade tanto no espaço de comunicação quanto no sentimentointerno de que se possui tal atributo no ambiente virtual;
(b) capacidade de lidar comquestões emocionais pela forma textual;
(c) capacidade de criar uma imagem mental doparceiro durante o processo comunicativo;
(d) capacidade de criar uma sensação depresença on-line por meio da personalização do que é comunicado.
Para tornar isso possível é preciso adotar determinados comportamentos, como
por exemplo, (a) o processo avaliativo não deve ser meramente quantitativo, isto é, não
acompanhe só a nota e a freqüência, mas suas dificuldades, o seu desenvolvimento,
levando em consideração a sua história; (b) que se gaste o tempo com auto-avaliação em
conjunto com os alunos, tais como: estes recursos que estou usando estão funcionando
para você? Estão gostando do ritmo e formato da aula?; (c) que desde o começo do
curso, deixar claro para o aluno a importância dessa relação personalizada; (d) não fazer
promessas do que não consegue cumprir.
REFERÊNCIA
REFERÊNCIA
BONATTO. Benedito D. Importância da Afetividade nas Interações no Contexto da EaD. Curso de Especialização em Design Instrucional para EaD Virtual: Tecnologias, Técnicas e Metodologias – EaD – Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI).

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